Bem este texto foi inspirado numa música que vos a concelho vivamente a ouvir enquanto lêem este texto, a versão que vos deixo aqui não é a original mas é a mais emotiva versão e a que mais sentimento traz. Este texto não é um texto sem contexto, eu estou a escrever um livro e este trecho vai fazer parte dele, espero que gostem.
https://www.youtube.com/watch?v=El8xWsCeYQc Jealous- Josh Daniel
Inveja... saudade..., são alguns dos sentimentos que me têm atormentado nestes últimos tempos.
Tenho inveja do caminho que alcançaste...
Tenho inveja do degrau que subiste...
Tenho inveja dos teus novos sentimentos
Tenho inveja de teres conseguido esqueceres...
Tenho saudades de sermos nós...
Tenho inveja do vento por ele te conseguir tocar, tenho saudades de ser o vento que te tocava, mas tenho medo de nunca mais ser esse vento, esse vento que consumias esse vento que inebriavas, como se fosse a última coisa que irias embeber. Fomos corpos inseparáveis, fomos um só, fomos nós, eu e tu, tu e eu. Juntos como duas moléculas de água, mas depois houve algo que quebrou as ligações que nos mantinham juntos, unidos...
Toda aquela energia que acrescentei foi quebrada mas diz-me, poderei eu voltar a ser o vento que tocava nas tuas faces? Poderei voltar a sentir a tua pele? Poderei voltar a ser aquele vento que te fazia ficar a menina perdida que conheci?
Éramos perfeitos juntos, éramos a ligação ideal, até que aquele fatídico dia que nos arrebatou, que me fez perder a noção da beleza da realidade da perfeição, chegou.
A minha mente ficou vazia... ficou vazia porque havia algo que faltava, passaram-se anos, (desculpa foram meses mas foram meses, meses... que pareceram anos muitos anos, porque eras tu que faltavas.), desde a altura que perdi a impulsão que me levava a tocar num ser tão imaculado, tão perfeito, tão puro.
Castigo-me, culpabilizo-me. por ter sido tão fraco, por ter perdido a energia, por te ter deixado fugir da minha mente, por te ter esquecido, por não ter tido a força necessária para resistir à solidão que se apoderou de mim. Quase que sufoquei em mim mesmo, já não havia qualquer tipo de lembrança, e sem lembranças não somos nada, ser um nada não é aquilo que quero.
Quando lançavam palavras como:" lembraste", "fazias", "gostavas", "querias", davam-me vontade de as disparar contra os corpos inócuos, vazios que as proferem, muitos dizem isso sem qualquer intenção mas será que não percebem a bagagem que estas palavras trazem consigo? Trazem a minha história e eu não me consigo lembrar dela, não me consigo lembrar... lembrar de algo tão significativo, tão marcante como o teu toque, o teu cheiro. Lembra-me dele! Era isto que eu durante meses queria que acontecesse lembrar-me de tudo. Quando tu vinhas com aquelas palavras que eram um massacre para mim, eu só me queria lembrar de tudo para poder também disparar em todos os sentidos contigo, mas tudo aquilo que fazias era inútil, Eu era inútil! então foi nesse momento que te encaminhei a saída. Fartei-me do teu zumbido, das tuas gargalhadas ao contar-me momentos, coisas que eu não me lembrava e tu teimavas em continuar a pressionar-me para que eu me lembrasse, então fartei-me, e expulsei-te. Mal eu sabia que tinha mandado embora o meu suporte de respiração, nem tinha a noção do que tinha feito até começar a sufocar, a ficar sem ânimo... perdoa-me por ter voado para longe, por ter sido vento para outro lugar, por tocar nas faces de outro, por outrora ter sido o teu vento e agora ambicionar ser o vento que outrora fui.
Nas tuas faces outro vento toca, outro vento ouve a melodia das tuas palavras, outro vento tem tudo aquilo que já fora meu...
Tenho inveja desse ar que agora respiras, porque eu quero voltar a se-lo, quero ser a tua fonte de vida.
Cambaleio agora pelas ruas mais escuras e mais estreitas, vou vagueando por aí, sem rumo sem certezas, sem quereres, apenas eu e a minha pequena insignificância.
Almejo agora a tua esmola de atenção, procuro o teu olhar, a tua aprovação, mas sem sucesso. Para ti sou agora apenas uma pessoa como outra, sou apenas um corpo que vagueia por aí.
Sou nada, sou aquilo que temia ser.
Eu não consegui reparar no brilho dos teus olhos quando falavas comigo na beleza da melodia das tuas palavras, na tua entrega.
Talvez um dia possa voltar a voar e sem tu dares conta,... voltar a tocar-te.
NC