quarta-feira, 6 de abril de 2016
"Algo"
Mais um excerto que fará parte do meu livro, espero que gostem.
Uma suave brisa, passou-me pelas faces, sinto uma descarga de energia percorrer-me toda a espinha, como se de um choque elétrico se tratasse, uma nova sensação percorre-me o corpo, apodera-se dele, corrói-o, mas ao mesmo tempo é refrescante. É avassalador!
Sinto o meu corpo ser tocado, mas nada físico está a tocá-lo, ou pelo menos nada que eu me aperceba. Mas tenho a certeza que há algo que me alcança, que me chama, que me desacorrenta, por agora é algo impercetível. Algo que me está a cativar aos poucos, algo com uma energia positiva, que me prende o olhar, que me cativa o que para mim jamais poderia ser cativado de novo, mas não se mostra...
Talvez este "algo" esteja a esconder-se, talvez não queira ser identificado, talvez saiba o tamanho da minha curiosidade e não queira ser alvo dela, o problema é que já a despertou e agora não há nada que a pare.
Por vezes sinto que o tal "algo" está preso, porque não se liberta ele? Porque se esconde ele? Por vezes sinto-me eu presa, mas... mas presa a quê?
Porquês, porquês e mais porquês, seria tudo mais fácil se ele se revelasse e me esclarecesse a minha tamanha curiosidade.
Durante muito tempo senti-me presa ao passado, ao que fui e ao que poderia ter sido, mas agora,... agora estou a deixar para trás as cordas que por tanto tempo me suspenderam, que me deixaram à beira do precipício, mas será que posso pôr por fim os pés em terra firme? Tenho algo que me garante que sim, e que se cair terei uma mão para me levantar, mas claro que o medo permanece, medo de ficar desamparada e de não saber como me levantar.
Mas o que me continua a deixar perplexa, é esta invisibilidade; esta ausente presença; este toque experiente mas cauteloso; esse tímido olhar; essa maneira estranha de mostrar que está presente, porque não se identifica?
Será que quer que seja eu a soltar as amarras que o prendem ou melhor que agora nos prendem? Sim que nos prendem, pois agora não são só a ele que estão a sufocar, chegou e sem eu dar conta envolveu-as em mim, e de uma maneira simples e natural e talvez despercebida, me tenha deixado envolver.
Perante isto o meu corpo anseia o toque inesperado das suas mãos, anseia o seu aparecimento, anseia que as amarras que o acorrentam ao que outrora foi caiam por terra e o deixem aparecer, e que eu com isso possa olhar para esse "algo" que fantasio.
NC
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