São várias as lembranças que retenho, mas só aquelas que me convém é que mantenho numa gaveta fácil de abrir. Podia ter-te escondido ou fingido mas...
Não consigo negar o inegável...
Eu admito, mas por favor aceita a minha coragem, aceita o que te vou dizer, aceita-me, só te peço isso. Provavelmente devo ser a última pessoa que queres, mas eu não tive a culpa e tu sabes, ok, podia ter-te mantido por perto, podia ter continuado ouvir a melodia das tuas palavras, podia controlar a sentir a brisa de verão que és, mas... Mas eu...
Nô eu perdi-te de uma forma que achei que fosse impossível perder-te, apagou-se tudo, voaste-me da mente como um furacão que passou por uma cidade e levou tudo a trás, e tu levaste-me... Mas quando te perdi insisti em ir, e foi aí que errei, admito, mas agora tudo voltou, eu voltei! Voltei a sentir-te como antes sentia. Lembro-me da tua pureza, da tua essência, da tua magia, eu reconquistei-te na minha mente, agora só falta fisicamente.
Permite-me ser ousado novamente e usar-te, mas desta vez usar-te de uma forma musical, de uma forma que outrora usei, deixa-me ser o Bruno em que te perdeste. Deixa-me ser algo, não faças de mim um corpo vazio, faz-me o teu corpo, faz-me teu.
Eu voltei como uma onda do mar, fresca, recorda-me, mas recorda-me com o mesmo olhar com que olhas para o pôr do sol a cair no mar num final de tarde. Olha para mim com aquela ingenuidade que te é tão característica. Leva o tempo que necessitares a aceitar que voltei, eu sei que é difícil ires buscar-me à gaveta, mas sei que estou naquela a que recorres frequentemente.
Eu estou aqui e não vou voltar a evaporar-me como as gotas do mar, afoguei-me e voltei à tona, sozinho?. Sim... podia ter tido ajuda? Sim, podia, mas neguei, tive de fazer isso por mim, tive de ir buscar forças onde não pensei que existissem... Eu estava no fundo mas ouve algo que me fez emergir, sabes o que foi?
Eu senti a tua brisa roçar nas ondas do mar, e ouve uma que me acariciou a face e aí tudo se avivou, tu avivaste-te em mim, mas eu digo-te não vou voltar a perder tamanha perfeição.
Foste aquilo a que os escritores mais lamechas gostam de chamar de " a luz ao fundo do túnel". Mas eu digo-te o que para mim significaste, para mim foste o íman que me atraiu ao de cima e o que me fez ter as forças necessárias para poder subir. Foi atração, não negues... não negues o inegável. Somos opostos que se atraem e repelem, já nos repelimos vezes e vezes, não o continues a fazer, primeiro e desculpa a minha presunção ( se é que se pode considerar presunção), porque tu própria já não aguentas esta distância, e segundo porque a tua vontade de atração é tão maior ou superior à minha. Não vale a pena negares... não negues o inegável.
Não te censuro por tentares com que voe como tu voaste de mim. Mas não negues o inegável, não negues que não consegues, tentas... e bem eu sei o quanto tentas, mas sei que bem tentas que não voe. Então eu não voou e fico, então ficamos e não negamos o inegável.
Voamos os dois como corpos livres, como um corpo.
Não negues o inegável e perde-te comigo.
Não me negues e lembra-te do outrora.*
Não me negues pois eu não sou inegável.
Não negues o inegável, porque o inegável não pode ser negado.
PS:
* Que idiotice a minha, tu sempre te lembraste,eu... eu é que não
NC