segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

Prometo


https://www.youtube.com/watch?v=hXA3NaNO26c- Acompanhem com esta música a leitura

Se um dia perder a memória prometo que não te esquecerei.

Prometo que a minha vida será a mesma, mesmo não sendo.
Prometo que no fim das minhas lembranças serás a ultima que me vai restar.
Prometo continuar a ser eu mesma já não sendo eu.
Prometo ser quem era mesmo não sabendo ser eu.

Prometo... Sim, eu sei que não gostas particularmente da palavra ‘prometo’. Sei que não posso prometer algo que não controlo, mas imagina que controlo.
Imagina que vou controlar-me, que vou apoderar-me da minha mente, já quando ela não for minha, e que tu estarás nela para sempre. Acredita em mim! Ou então não. Acredita no poder que tenho em proteger-te em mim. Ou então não. Não sei. Mas continuo a prometer que ficas cá comigo, mesmo sabendo que se calhar não ficas.

Deixa-me continuar a dizer e a sentir aquilo que quero.
Sempre me disseram para seguir os meus sonhos, para ser quem sou, então esta sou eu! Sou assim! Sou aquilo que não esperavas que fosse, mas que me revelei ser. Sou quem tu achares que sou, mas com a certeza que continuarei a ser eu.
Eu prefiro continuar a acreditar que posso prometer continuar a ser eu, mesmo sem a certeza que serei, sabes porquê? Porque nem tudo se perde, mas se eventualmente acontecer, tenho a certeza que não permitirás que tal suceda.
Eu sei que mais tarde ou mais cedo tudo se desmorona, sei que partirei para longas caminhadas, e que essas poderão fazer com que tudo caia. Sei também que o futuro é incerto e que não o posso prever. Mas imagina que posso! Imagina que sei o que o amanhã nos reserva. Confiarias no meu prometo? Mesmo não gostando da palavra?

Eu não sei se achas que sabes quem eu sou, mas eu sei que acho que sei quem sou. Portanto, confia que mesmo esquecendo não esqueço.
Quando daqui a uns anos olhar pela janela do meu quarto enquanto chover, prometo que me lembrarei de tudo, mesmo não sabendo o que é tudo, ou não me lembrando de tudo.

Já te prometi muito, então agora peço apenas que me prometas algo. Não me prometas nada que saibas que não conseguirás manter.
Sim, eu sei, não faz sentido, visto que te prometo coisas que não sei se se manterão, mas digo-te, sou assim. Meio contraditória, meio... sei lá, meio eu.

Ficamos assim, no meio de promessas, sem as fazermos, mas mantendo-as; sem fugirmos, mas tentando não recorrer a elas. Porque sabemos que se nos focarmos em demasia, então muito se vai perder, e se muito se perder... nós perdemo-nos.
Por isso prometo sem realmente prometer. Se for preciso que algo se realize, então lutarei, contra todas as promessas e tudo o que com elas implicar, sabendo no fim que fui eu, que fui eu a lutar, sem alguma vez recorrer a tais promessas, mas que continuam lá, e me levam ao fim.

Ficamos por aqui, sem mais promessas por hoje, mas guardando-as caso um dia precisemos.                                                                                                         
                                                                                                                       NC

sexta-feira, 26 de maio de 2017

O inicio- Leonor


O Ínicio- Leonor
Tinham passados 2 semanas do casamento, recusei a lua de mel pois sabia bem que não iria aguentar, e uma lua de mel é suposto divertirmos-nos, fazermos sexo, passear,e com ele... com ele isso não iria acontecer, ele ia aproveitar-se novamente mas desta vez não tinha ninguém a quem ligar. Ainda por cima aquela pergunta que eu não queria que ninguém fizesse estava cada vez mais impossível de esconder, teria de resolver o assunto, não estava pronta para ser mãe...
Peguei no telefone e liguei à Clara, contei-lhe o que iria fazer, e de seguida liguei à minha médica para marcar uma consulta. Aquela decisão não me era fácil, nem de perto nem de longe, sempre sonhara em ser mãe, mas desta forma, sem amor... Nem uma pinga de amizade existia quanto mais amor. Esta criança não podia vir ao mundo, não iria ser amada, iria ser fruto de algo a que fui obrigada. Ainda me lembro como tudo começou, como eu realmente pensava que ele era diferente, como ele me fazia sentir especial, como fui tão burra, como pude me deixar levar por um homem? Eu tive de lutar tanto para conseguir ter a minha empresa, por vezes tive de ser fria, calculista, egoísta, não me deixei enganar por ninguém, e depois este... esta coisa apareceu-me à frente e desfez tudo, como Leonor? como? Bem, agora tinha de olhar em frente, e tratar do meu problema o mais depressa possível.
 Pedi à Clara que viesse ter comigo nessa tarde, precisava de apoio, sozinha não o poderia fazer, e sei que se fosse sozinha não aguentaria, e com ela, com ela eu não iria a baixo, ela não me deixaria.
 Eram  três da tarde, e eu estava sentada no banco do condutor, parada, completamente estática, no parque de estacionamento do Hospital. Estava ali à pelo menos meia hora, tinha combinado com a Clara  às dezasseis. Decidi vir  mais cedo, para começar a interiorizar-me do que iria fazer. Eu ia matar uma criança, eu ia matar o MEU FILHO. Comecei a chorar compulsivamente, eu ia cometer provavelmente o maior erro da minha vida, mas como é que eu podia permitir que aquele ser viesse ao mundo? Num mundo onde o pai dele é um traste, num mundo onde a mãe era constantemente agredida, eu sabia muito bem como estas historias acabavam, e eu não podia permitir que o meu filho passasse por isso, e para além do mais ele iria tirar-mo, eu não iria sobreviver.
 Comecei a ouvir um barulho vindo da mala, todo aquele zumbido fez-me sair do transe em que estava, olhei para o visor e vi que era a Clara.
"Onde andas rapariga? já cá estou!"
"Estou no parque de estacionamento, podes vir cá ter?"
"Claro, vou já para aí"
Não tinham passados nem cinco minutos e já estava ela a entrar porta à dentro.
"Não tens de o fazer, eu ajudo-te em tudo, vens para minha casa, pedes o divórcio, e nunca mais olhas para a cara daquele monstro"
"E a minha empresa Clara? Eu não posso permitir que aquele filho da mãe fique com tudo o que construí. não pode Clara."
"Então e o teu filho? Leonor, pensa, vais sacrificar o teu filho por uma empresa?"
"Tu sabes que a Glams para mim é muito mais que uma simples empresa, é tudo aquilo pelo que sempre lutei, eu sacrifiquei-me por aquelas pessoas, eu deixei pessoas parar trás para conseguir aquilo que tenho...ou melhor aquilo que tinha, eu tenho de recuperar  tudo o que ele me tirou, ele prometeu-me que depois de casarmos poderia voltar a trabalhar lá, e comigo lá dentro tudo vai mudar, eu só preciso de mais tempo"
"Pois Leonor, mas tu não tens esse tempo, tens um bebé dentro de ti, que não espera para crescer só porque tu queres, portanto, tens uma decisão a tomar, tens 2 caminhos, o mais fácil que é entrares neste hospital agora e acabares com tudo, ou o outro que é o caminho que eu sei que a Leonor que eu conheço tomaria."
"E qual é esse caminho?"
" É seres a mulher corajosa que eu conheço, enfrentares o mundo se for preciso pelo teu filho, é acabares com aquele filho da mãe, apresentares queixa, divorciares-te! Leonor eu sei que tens muito a perder, mas e o teu filho? Vais privá-lo da vida?"
 Eu não sabia o que dizer, o que fazer, nem sequer o que pensar...
"Leonor, queres um concelho de uma amiga? Vamos a esta consulta, vamos ver como esta o bebe e depois tomas uma decisão, pode ser?"
Assenti, iria à consulta e depois tomaria a minha decisão.
 Enquanto caminhava pelos corredores do hospital, via mulheres grávidas, com um sorriso no rosto, acompanhadas pelo marido ao lado, outras com os filhos, e eu ali a pensar em matar o meu filho, os olhares delas penetravam os meus olhos, como soubessem o que iria fazer, estavam a julgar-me. Saí dali o mais depressa possível, e quando dei por mim, já estava deitada na marquesa, com o gel na barriga.
"Leonor, está pronta para ver o seu bebé?"
Não sabia, se estava ou não mas já não havia nada a fazer, já que ali estava, tinha de enfrentar.
"Sim doutora pode prosseguir."
"Muito bem, vejamos como está"
Ela continuou ali a mexer com aquela coisa na minha barriga, e eu só sentia amor, por aquela coisinha, que tinha dentro de mim. As lágrimas escorriam-me pelo rosto, sentia uma emoção que nunca sentira antes.
 A minha decisão estava tomada, eu não iria pelo caminho mais fácil...

NC

quinta-feira, 30 de março de 2017

Não negues o inegável...

Mais um excerto do meu livro espero que gostem

 São várias as lembranças que retenho, mas só aquelas que me convém é que mantenho numa gaveta fácil de abrir. Podia ter-te escondido ou fingido mas...
  Não consigo negar o inegável...
  Eu admito, mas por favor aceita a minha coragem, aceita o que te vou dizer, aceita-me, só te peço isso. Provavelmente devo ser a última pessoa que queres, mas eu não tive a culpa e tu sabes, ok, podia ter-te mantido por perto, podia ter continuado ouvir a melodia das tuas palavras, podia controlar a sentir a brisa de verão que és, mas... Mas eu...
  Nô eu perdi-te de uma forma que achei que fosse impossível perder-te, apagou-se tudo, voaste-me da mente como um furacão que passou por uma cidade e levou tudo a trás, e tu levaste-me... Mas quando te perdi insisti em ir, e foi aí que errei, admito, mas agora tudo voltou, eu voltei! Voltei a sentir-te como antes sentia. Lembro-me da tua pureza, da tua essência, da tua magia, eu reconquistei-te na minha mente, agora só falta fisicamente.
 Permite-me ser ousado novamente e usar-te, mas desta vez usar-te de uma forma musical, de uma forma que outrora usei, deixa-me ser o Bruno em que te perdeste. Deixa-me ser algo, não faças de mim um corpo vazio, faz-me o teu corpo, faz-me teu.
 Eu voltei como uma onda do mar, fresca, recorda-me, mas recorda-me com o mesmo olhar com que olhas para o pôr do sol a cair no mar num final de tarde.  Olha para mim com aquela ingenuidade que te é tão característica. Leva o tempo que necessitares a aceitar que voltei, eu sei que é difícil ires buscar-me à gaveta, mas sei que estou naquela a que recorres frequentemente.
 Eu estou aqui e não vou voltar a evaporar-me como as gotas do mar, afoguei-me e voltei à tona, sozinho?. Sim... podia ter tido ajuda? Sim, podia, mas neguei, tive de fazer isso por mim, tive de ir buscar forças onde não pensei que existissem... Eu estava no fundo mas ouve algo que me fez emergir, sabes o que foi?
 Eu senti a tua brisa roçar nas ondas do mar, e ouve uma que me acariciou a face e aí tudo se avivou, tu avivaste-te em mim, mas eu digo-te não vou voltar a perder tamanha perfeição.
 Foste aquilo a que os escritores mais lamechas gostam de chamar de " a luz ao fundo do túnel". Mas eu digo-te o que para mim significaste, para mim foste o íman que me atraiu ao de cima e o que me fez ter as forças necessárias para poder subir. Foi atração, não negues... não negues o inegável. Somos opostos que se atraem e repelem, já nos repelimos vezes e vezes, não o continues a fazer, primeiro e desculpa a minha presunção ( se é que se pode considerar presunção), porque tu própria já não aguentas esta distância, e segundo porque a tua vontade de atração é tão maior ou superior à minha. Não vale a pena negares... não negues o inegável.
 Não te censuro por tentares com que voe como tu voaste de mim. Mas não negues o inegável, não negues que não consegues, tentas... e bem eu sei o quanto tentas, mas sei que bem tentas que não voe.  Então eu não voou e fico, então ficamos e não negamos o inegável.
 Voamos os dois como corpos livres, como um corpo.
 Não negues o inegável e perde-te comigo.
 Não me negues e lembra-te do outrora.*
 Não me negues pois eu não sou inegável.
 Não negues o inegável, porque o inegável não pode ser negado.

 PS:
* Que idiotice a minha, tu sempre te lembraste,eu... eu é que não

NC

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

É mais um dia portanto façamos dele o melhor possível.

 É só mais uma dia escondida;
 É só mais um dia agarrada ao passado;
 É só mais um dia a deambular;
 É só mais um dia a aguardar que algo mude


 Quando menos esperamos os fantasmas que esperançosamente, pensamos que estão fechados  naquele baú, que escondemos a chave ou chegámos a deitá-la fora, saem de lá enraivecidos e atacam-nos por todos os lados. Fechamos-nos, encolhemos-nos, numa tentativa falhada, mas com a esperança que não passe de um pesadelo, mas não passa... Parece que finalmente avistamos uma luz ao fundo do túnel mas esta não é aquela que nos dá esperança, bem pelo contrário, manda-nos abaixo, destrói a réstia de coragem e força que ainda reservamos. Somos agora corpos a tentar sobreviver,somos, bem sei lá aquilo que somos, acho que sou apenas eu, ou lá o que seja ser eu. Sim, o que sou eu? Sou uma pessoa? Sou uma marioneta? Sou o quê? São estas dúvidas que dão cabo de nós, porque estas dúvidas levam-me a questionar tudo, e a questionar-me sobre a origem das minhas ações. Será que somos controlados por alguém?  Estas dúvidas, estas perguntas sem respostas... odeio a incerteza, odeio não saber o que esperar disto, sim o quer que seja isto.
 As minhas dúvidas arrasam-me, as palavras não chegam para conseguir exprimir aquilo que sinto em pensar nisto tudo.
 Realmente  VIDA é uma palavra bastante complexa, eu sei lá o que hei-de fazer com esta palavra, mas tem de haver algo que nos encoraje a enfrentar tudo isto. Não podemos simplesmente desistir, não podemos simplesmente encolhermos-nos à espera que tudo nos caia aos pés pois isso não vai acontecer, temos de lutar para conseguirmos as respostas que tanto cremos, temos de insistir, temos de ser proativos.  Temos de enfrentar esta palavra e fazer dela o que nos der na real gana. É muito mais fácil esperar que as soluções nos caiam aos pés, mas também qual é a graça disso? Qual seria a verdadeira razão de estarmos aqui nesta vida se não houvesse um propósito?Se fossemos apenas corpos controlados? Não nos podemos encolher, não podemos andar aí a deambular, a dar importância a coisas que não merecem nem um terço da nossa atenção, porque enquanto estamos focados nestas míseras coisas, perdemos o foco do que realmente é importante.
É verdade que tudo isto é labiríntico, enigmático, mas sem enigmas sem aventura, nada teria importância, não haveria aquele gostinho no final quando finalmente conseguimos descobrir o que tanto queríamos. A vida é feita de sabores que têm de ser experimentados mas todos com o seu devido tempo, à que aproveitar esta luz que nos manda a baixo e fazer dela algo que nos torne mais fortes, mais resistentes.
 Não é uma perda de tempo questionarmos-nos, mas é sim uma perda de tempo ligarmos a coisas insignificantes.
 Cada dia é menos um dia, mais vale aproveitá-lo da melhor forma.

É mais um dia livre;
É mais um dia a aproveitar o que realmente importa;
É mais um dia de aprendizagem;
É mais um dia a mudar e não a esperar que as coisas mudem;

NC