sábado, 29 de outubro de 2016

"mudara o fado desejado"

   Este texto foi escrito através de uma imagem, numa das minhas aulas de literatura, andei à procura da mesma mas não consegui encontrar, peço-vos desculpa, mas se a conseguir encontrar ponho-a aqui, espero que gostem.

  Estava sentada numa rocha, com o olhar perdido e vazio. Tinha o enorme e inquietante cabelo ao vento, sempre que olhava para ele perdia-me na sua cor e intensidade. Naquele dia envergava umas vestes escuras, toda ela era tristeza... raiva... desespero.
  Ao longe avistava uma embarcação, e aí ... aí tudo mudara mas, por breves e escassos instantes. a inquietação desaparecera, já o avistava, embora longe, mas já tão perto. Mas o mar... havia sempre algo! O mar revoltara-se, cansara-se de ouvir os seus choros, as suas preces, e mudara o fado desejado.
  Uma e outra onda, o vento aliou-se ao mar, e tudo voou! Voaram os meus e os seus sonhos. O sangue já estava derramado, já nada havia a fazer, Deus tinha previsto, e se era essa a Sua vontade então ninguém a mudaria.
  Via-a ainda cair por terra, vi pela última vez a sua pele imaculada e pura. Escorria-lhe pelas suas faces rosadas lágrimas que queimavam a terra, de tão quentes e raivosas que estavam.
  Num último ato de coragem, decidira que, sem mim, sem o seu tão esperado e querido amado nada faria sentido, então, comigo viera, e comigo ficara, para sempre, tal como o destino o previra.

NC

terça-feira, 11 de outubro de 2016

O Início

Deixo-vos aqui a  continuação da história que estou a escrever, agora na perspetiva da personagem principal, espero que gostem. 

Leonor
Eram 5 da manhã, e lá estava eu, novamente, sentada, bem, era mais estatelada naquele frio e bizarro chão da casa de banho do "amor da minha vida", estava a tentar levantar-me para me recompor e poder encarar novamente as pessoas que já deviam estar à minha procura. Eu era a estrela da festa, portanto, não estar presente a futura Miss Evans, era qualquer coisa de desagradável. Não estava preocupada com o que as pessoas podiam dizer de mim, ou a má impressão que poderia dar, estava, sim, preocupada,-bem preocupada não era a palavra certa era mais horrorizada, com medo-, do que ele me pudesse fazer. Eu amava-o,isso era certo, mas..., mas, nada Leonor, ele é teu futuro marido.
Arranjei o cabelo, ajeitei a roupa, e saí da casa de banho como se nada tivesse passado, este era sem dúvida a minha maior qualidade, fingir, mentir, esconder. Era perfeita nisso, após dois anos com ele, tornei-me na perfeita mentirosa. 
Mal pus o pé fora da casa de banho, o inquérito começou, estava a torcer para que não me fizessem aquela determinada pergunta a que eu nas últimas semanas andava a fugir. 
A única pessoa que realmente estava ali por mim, era a Clara, ela sabia da tal pergunta que eu não queria falar, naquele momento só queria pegar na mão dela e sair dali, fugir, «para onde?» perguntaria ela, e minha resposta seria a mesma de sempre, «se eu pudesse... para bem longe daqui, mas como não posso até ao café ao virar da esquina.»

                                                                                                                                                               NC