domingo, 12 de junho de 2016

Para ti

Há textos mais fáceis de escrever que outros, e este está incluído nos difíceis, é-me relativamente fácil escrever textos no geral, mas quando é particular, para uma pessoa em específico tudo muda.

Já há muito que ando para deitar cá para fora todo este aglomerado de sentimentos, dizer-te por escrita é mais descomplicado, não tenho de olhar esses teus olhos, que à primeira vista parecem ser de um castanho avelã, mas que depois na sua envolvência tem uns vestígios de verde, que me deixam completamente perdida... dizer-te que tens sigo algo de importante na minha vida é pouco. 
A maneira descontraída como vês o mundo, a maneira como simplificas o que para mim é complicado, esse teu jeito que tens para me mostrares que a vida é simples... deixa-me arrebatada. 
Um simples obrigado é insuficiente, as palavras dizem pouco, os gestos... esses vão conseguindo aproximar-se daquilo que pretendo retribuir. 
 No início nada parecia certo, era uma possibilidade, mas com o tempo mostraste-me que essa expetativa poderia ser tornada realidade, que tu eras realidade e não uma brisa passageira num dia de calor. 
Desculpa pelas minhas muitas manias e parvoíces, como já te disse venero a tua paciência, sei que por vezes sou um "bocadinho" complicada e chata, mas tu com esse teu jeito calmo e compreensivo, tranquilizas-me, e mostras-me como o mundo é fácil basta nós querermos. 
O mundo contigo é mais claro, as nuvens voam para longe e o céu é muito mais azul, tudo o que era cinzento agora é mais colorido, tudo o que era complicado agora está simplificado, tudo o que era inatingível  agora é acessível, tenho a agradecer-te por isso, por tornares tudo mais alcançável.
Não me esquecerei de como os teus olhos ficaram humedecidos quando percebeste que ficaste com menos um membro na família, esse teu carinho que tens por quem é teu fascina-me. 
Tu fascinas-me, o modo com que vês o mundo encanta-me e deixa-me querer vê-lo também assim.
Que continues a ser a minha brisa num dia de Verão...

                                                                                                                                           NC 

sexta-feira, 3 de junho de 2016

De leve

De leve era tudo aquilo que deveria ser, mas nesta temporada nada tem sido de leve...
Lágrimas presas, gritos aprisionados, medos escondidos, tudo tem sido demasiado pesado, demasiado penoso. Deveria ser de leve a maneira como vejo o mundo, deveria ser de leve esta altura, onde tudo supostamente é bacano e algo acessível. Acho que as pessoas bebem quando dizem que a adolescência é a melhor fase da vida, enganam-se todos, a melhor fase é aquele quando nem sabemos o que o mundo nos reserva, quando não sabemos que a vida é pesada e muitas vezes nos leva ao limite e nos põe constantemente à prova.
A prova varia de pessoa para pessoa, muitas vezes é uma doença, outras vezes é a família, amigos, namorados, tantas coisas... mas só uma saída, lutar! Lutar sempre de cabeça erguida e prosseguir com os mínimos danos possíveis.
Em certas ocasiões o mais fácil é desistir, mas nem sempre o mais fácil é o mais correto, mas ás vezes a maior persistência é deixar de ser persistente, deixar de lutar por uma coisa que já não vale a pena, simplesmente largar a corda, Para que continuar a puxar sozinha?, arrastar algo que está comodamente sentada, para que? Porque não simplesmente soltar? Muitas vezes porque somos teimosos, outras porque lá no fundo sabemos que tudo aquilo vale a pena, e outras porque já não temos nada a que nos agarrar, e aquele "meio de sobrevivência", é o único pelo qual vale a pena lutar. Mas é aí que o nosso erro começa, pensar que algo ou alguém é a nossa vida, e que o nosso mundo gira em seu torno, a vida é muito mais que simples e escassos momentos de felicidade, a vida são ações e não só palavras,são gestos, e só quando percebermos isto é que a vida vai ser de leve.
Deixemos-nos de falsos moralismos, é claro que todos fazemos isto, dizemos palavras e esquecemos-nos do resto, todos somos assim, e só quando percebermos TODOS, que o somos talvez aí o mundo seja mais de leve.
 Passemos a demonstrar mais o que sentimos, em vez de o dizermos, porque as palavras vão,mas os gestos... esses ficam, e são esses que nos vão ficar retidos na memória.
Contrariem a prova, não se deixem rebaixar, lutem, mas lutem apenas pelo que verdadeiramente vale a pena, e nos tempos que correm à muito pouco que verdadeiramente vale a pena. A vida é curta de mais para que algo por vezes tão irrelevante nos afete de uma forma tão poderosa, que nos leva a cair.
Portanto, levemos uma vida de leve, sem fardos... simplesmente leve...

                                                                                                                                                            NC