É difícil exprimir aquilo que sinto, à algo cá dentro que me
faz tremer, quando penso que poderei perder algo que é importante para mim, desculpem
a estupidez de hoje mas o precipício por vezes parece estar demasiado próximo.
A dependência que crio com certas pessoas deixam-me por vezes a mim mesma sufocada
portanto se eu me sinto assim, como se sentiram eles?
É-me complicado descrever este despenhadeiro que observo,
posso dizer que estou numa posição que me concede uma bela vista, alto, profundo,
penetrante, envolvente, são palavras soltas que ditas de uma só vez chegam bem
para caracterizar aquilo que vejo, quem me dera poder dizer só isto, que esta
paisagem me deixa embevecida, mas não é bem assim… Medo, raiva, angústia, terror, pânico, são
outras palavras que descrevem também aquilo por que estou a passar, uma mistura
de sentimentos que me deixam um pouco abananada e sem norte. Com pessoas é mais
fácil trilhar, mas às vezes quando são essas pessoas a ver o precipício tão perto,
e que nos levam atrás, de uma maneira ingénua, (de ambas as partes), aí tudo
nos parece mais horrendo. E sabem porque? Porque as pessoas que nos levam atrás
são pessoas que nós preservamos, e quando nós antevemos a sua queda tudo se
torna mais doloroso. É doloroso ver o que podemos perder, e só aí tomamos
verdadeiramente noção que também nós estávamos naquela posição.
Outros caminhos terão de ser escolhidos, outras vistas terão
de ser apreciadas, outros sentimentos terão de ser experienciados, mas de uma
coisa posso garantir, não estou disposta
a deixá-los ir por esse precipício. Chamem-lhe teimosia, eu chamo amor, amor por
aqueles que verdadeiramente estão, por esses posso garantir que não estarei
alguma vez disposta a deixá-los ir por esse precipício.
Os gestos…, as palavras…, tornam-se irrelevantes perante uma
situação de rutura iminente, tudo perde sentido, naquele momento somos só nós a
lutar contra o vento que nos impulsiona para a ruína, que nos leva a ficar a um
paço da maior queda da nossa vida, lá em baixo vemos um mar que nos aparenta o
tal tesouro que nós tanto procurávamos… SERENIDADE…, cá em cima tudo é agitado
e tudo faz pouco sentido, a vida faz pouco sentido, então salt… Não! Aí, alguém
aparece e nos arrasta por um braço e nos faz encarar esta rebelião, faz-nos
chorar de desespero até as nossas lágrimas secarem e depois, ajoelha-se connosco
e faz nos ver que nem tudo é tão cinzento assim.
Tento mostrar-me o
quão verdade isto é, porque outrora fui a pessoa em que os papéis da
serenidade e da agitação estavam trocados, mas foi aí. Uma pessoa presente fez-me ver que as coisas
não são tão negras como imaginamos. Chegou agora a minha vez de ser a âncora de
outro corpo, de o arrastar da beira, de o fazer voltar para trás, sem
perguntas, sem recriminações apenas um braço, um ombro, um corpo presente.
Uma nova cena aproxima-se, por agora, o pano cai, a peça
encerra, e o silêncio apodera-se da sala, mas em breve uma nova produção
começa, a agitação recomeça, o nervosismo volta, e o pano sobe, e tudo toma o
rumo necessário, e mais indicado de acordo com o cenário proposto. Talvez um
fim com meta, talvez um fim ainda por escrever, quem sabe, à sempre novos precipício
por visitar e novas paisagens para acumular, mas uma coisa é certa, a vista é
bem melhor aqui de cima. Lá em baixo ficam, bem lá em baixo não fica nada,
apenas aquilo que nós queremos que fique.
NC
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