domingo, 15 de novembro de 2015

"Não passamos de seres insignificantes mas ao mesmo tempo furtivos"

Bem, aqui está um tema que se pensa muito bem antes de se escrever, deixa-nos bastante reticente e eu não sou exceção. É um tema que incomoda, que nos corrói, mas que nós já pensámos mas sempre que ele nos passa pela cabeça só o queremos afugentar.

Morte... Quando ouvimos esta palavra, a primeira coisa que fazemos é fugir desta conversa, não tem nada de errado em relação a isso aliás foi o que nos incutiram, que este é um tema demasiado pesado para ser abordado. Mas será que é mesmo? Tentamos fugir dele a todo o custo, até que um dia não podemos fugir mais, quando nos encaramos de frente com ela não à nada que possamos fazer para fugir.  Neste fim-de-semana, (14-15 de Novembro), deparámos-nos com um ataque a França, muitas pessoas morreram e as suas famílias tiveram de encarar os seus assombros.  Um dia saímos de casa para irmos a um concerto e do nada aquela decisão aparentemente tão normal, torna-se o pior pesadelo da nossa vida. Agora eu pergunto-me cada vez que pensar sair de casa terei de pensar duas vezes?? Muitas pessoas vão dizer, " estás em Portugal, num país pequeno, achas que isso aconteceria aqui?"" e aí eu penso, pois realmente ele/a tem razão, mas aí volto a questionar-me, sim tens razão estou num país pequeno, mas repara, França é um país bastante grande, um país desta dimensão tem bastante segurança e mesmo assim aconteceu uma calamidade. Um  país como o meu que apesar de ser mais pequeno, não tem tanta segurança, é verdade que esses países maiores têm mais probabilidade, mas isso não quer dizer que nos deixemos de preocupar, bem pelo contrário".
A morte assusta-me, sempre que penso nela, penso nas pessoas que amo, e como seria terrível e uma dor indescritível se as perdesse. Mas a verdade é que isso vai acabar por acontecer, lá está outra frase que quando ouvimos, só pensamos em esmurrar a pessoa que teve coragem para a dizer em alta voz. Mas é verdade um dia, amanhã, daqui a uma semana, um mês um ano, anos, vamos nos deparar com ela, e quando isso acontecer vamos estagnar, vamos querer esquecer vamos negar porque não estamos preparados para algum dia perder alguém que ama-mos.
Quando perdemos uma pessoa, não quando ela morre, mas quando ela sai das nossas vidas, se essa pessoa for daquelas pessoas que esteve na nossa vida por um tempo que nós pensámos que seria indeterminável, a dor que sentimos é penosa, é insustentável, agora pensemos se essa pessoa desaparecesse mesmo de vez da nossa vida, se ela morresse? Como seria a dor? INIMAGINÁVEL!. Com esta frase o que pretendo dizer é que para não perdemos tempo com coisas fúteis, vamos desfrutar dos escassos momentos que temos com as pessoas que amamos.
A dor de perder alguém com a certeza que não dissemos tudo, que não fizemos tudo o que queríamos, deve ser das piores sensações do Mundo.
É quando acontecem estas grandes tragédias que nós pensamos o quão somos insignificantes, mas ao mesmo tempo tão furtivos. É quando não damos conta que a morte nos bate à porta, nunca estamos preparados para isso, nem devemos estar. Fomos programados para um curso de vida que deveria ser o normal, mas quando esse curso se altera, tudo desmorona. Não é natural ver crianças a morrer, não é natural ver seres humanos matarem outros. Mas o pior é que para muitos isto é o pão nosso de cada dia. Viemos todos do mesmo sítio, somos todos pessoas, mas estamos todos a matar-nos uns aos outros como se fosse completamente normal. Nem sequer pensamos em quem é esta pessoa, de quem ela é filha, irmã, marido ou mulher, pai ou mãe, avô ou  avó tio ou tia ,amigo.
Este é um tema que odeio que preferia que nem sequer existisse, mas a verdade é que existe e é bem mais real que algum de nós deseja. Medo é a palavra que melhor descreve o que sinto, perder os que mais amo, perder a minha família os meus amigos, perder-me a mim mesma, tenho medo de partir antes de fazer tudo aquilo que desejo. É aterrorizante pensar que um dia tudo aquilo que mais amamos vai desaparecer, ou porque um maluco decidiu rebentar-se ou porque foi a velhice ou uma doença, todas estas ideias assustam-me.
Ninguém nasceu preparado para esta dor, não vale a pensa dizer que vamos superar minimamente, quando ela nos tocar, porque certamente não iremos, vai ser  como um canhão a derrubar um muro de cimento. Eu queria tanto poder evitar sentir algum dia esta dor.
Quem sabe um dia talvez estaremos mais aptos para não sofrermos tanto... Quem sabe...
                                                                                                                                                          NC

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