sábado, 21 de novembro de 2015

A última tripulante

Hoje é um daqueles dias que mais valia nem ter acordado, é daqueles dias em que eu penso porque fiz que ele fosse tão especial no passado. A verdade é que nós nunca sabemos que o que fazemos hoje amanha ou daqui a 3 anos vai parecer-nos tão descabido, não quer dizer que o se passou no meu caso tinha sido descabido, porque não foi, foi uma das coisas que mais fez sentido na minha vida. A verdade é que passaram 3 anos e eu tenho a consciência que neste momento estou a desperdiçar tempo a remoer em coisas do passado, hoje é o meu dia na introspeção, será que aqueles 2 anos e meio cobrem todo o sofrimento destes últimos 6 meses? Não sei, mas sei que está na hora de me reerguer e seguir caminho, chega de olhar para trás chega de pensar no que poderia ter feito para que nada disso estivesse a acontecer, porque a verdade é que está, e não posso fazer nada para contrariar.
Posso, sim, demonstrar que estou mais forte, mais capaz de não me deixar eludir, que já não sou mais essa menina. Isto não é só para mim, é para todos vocês que estão na corda bamba sem saber o que fazer com toda esta mágoa. Pensem comigo, quantos mais anos das nossas vidas vamos desperdiçar a pensar em quem já nem se lembra da nossa existência.
Vamos olhar para trás e pensar que fomos os culpados por tudo mas a verdade é que o tango se dança a dois, foram os dois lados que decidiram largar a corda embora não nos apercebamos já não estamos mais a puxá-la, estamos com ela na mão mas já não temos mais força para a puxar. Alguns vão dizer-nos se não tivesses feito isto, se não tivesses feito aquilo, agora poderia ser tudo diferente, mas é sempre mais fácil falar que fazer, se o fizemos é porque naquele momento aquilo era o mais acertado, todos nós cometemos erros, agora o que podemos fazer?? Pedir desculpa? Sim, poderíamos mas se essa pessoa nem esta aí, então porque teremos nós de estar?  Muitos dirão que foram cobardes em ter abandonado o barco, mas lembrem-se que fomos nós os últimos a saltar.
Eu sei bem o que é isso, ouvir toda a gente dizer que somos os grandes responsáveis, mas neste momento estou mais interessada em viver a minha vida do que ouvir o que eles tem a inventar sobre mim. Está na hora de viver, de acordar, de deixar esta prisão. Muitos escrevem Hamo-te, com h porque dizem que foi um erro,mas eu ... eu não digo que amar-te foi um erro porque não foi, foi sim o sentimento mais bonito e arrebatador que alguma vez senti. Chegámos até a  inventar a nossa forma de dizer Amo-te, AMOTHE, tudo junto porque não havia espaços, mas a verdade é que existiram sim, bastantes lacunas por preencher, mas sabes que mais, não vou mais tentar tapa-las, encobri-las vou sim deixá-las estar como estão, e elas vão acabar por se tapar a elas próprias, e nesse momento eu não terei de pensar mais nisso.Entretanto viverei a minha vida da melhor maneira possível. Chegou o momento de fazer isto por mim e não por ti ou porque acho que ainda sentes algo, já me apercebi que não, que já sou passado, e é exatamente o que tu vais passar a ser para mim, apenas uma lembrança.
Vou agora para uma nova aventura, vou abandonar esta embarcação onde sou a única tripulante que ainda resiste a estes estragos todos.
E que de hoje a 1 ano esteja bem melhor, com tudo arrumado nas gavetas certas, talvez daqui a um ano a vida que idealizei se aproxime um pouco daquela que o destino me reservou...
                                                                                                                                                    NC

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