É nos sítios mais peculiares e menos evidentes que me surgem ideias, normalmente as pessoas procuram sítios calmos para terem inspiração, mas a inspiração encontra-me em sítios comuns. Estava no autocarro a ouvir uma música que adoro, e que para além de fazer parte da banda sonora de um filme que me deixou totalmente perdida, a letra é simplesmente uma obra prima. As ideias começaram a surgir, um turbilhão de palavras invadiram a minha mente e começaram a juntar-se, a dar algum rumo, alguma direção.
As setas que encontro no caminho a dar sentido à estrada têm-se desviado criando alguns corta matos, uns mais fáceis que outros, e neste novo sentido ainda não sei qual vai ser o percurso, qual vai ser a distância. Ter controlo sobre as coisas é uma coisa que ambiciono, queria poder controlar a minha vida dar-lhe o rumo certo e não enveredar por estes atalhos que são bastante atrativos mas bastante promiscuos. A aventura acompanha-me mas também a segurança, por vezes a primeira fala mais alto que a segunda e quando vejo um precipício a resposta mais óbvia para todos seria anda para trás, mas depois eu na minha estupidez digo "bora! vamos, não tens nada a perder", e fico mesmo à beira do precipício com umas dúvidas finais, mas depois o impulso leva-me a fazer aquilo que era impensável... saltar. O problema é que a queda por vezes é bem grande, outras mais pequenas, neste momento estou na parte da beira do precipício e não tenho a certeza se salto,se me atiro de cabeça ou me deixo ficar aqui em cima, simplesmente a olhar para baixo a ver as oportunidades a escorregar-me pelos dedos, queria tanto poder saber o que fazer, queria desta vez não me precipitar, mas e se depois todas as oportunidades se desvanecem? Ficarei sempre com aquela culpa, com aquela sensação que poderia ter sido diferente e não foi porque eu me deixei guiar pelas minhas inseguranças, pelos meus medos. Receber algum sinal ajudaria mas nem isso, parece que tudo se juntou num complô para me deixar ainda mais desorientada. Às vezes parece que estou a receber alguma sinal de como é o caminho, mas rapidamente esse sinal dissipa-se, torna um novo rumo que não é o meu e leva o sinal que primeiramente era para mim para outra pessoa. Será que essa pessoa vai compreender o sinal que lhe está a ser enviado? Será que o vai aproveitar como eu aproveitaria? Eu queria tanto que finalmente aquele sinal aparecesse e que dissesse que este é o caminho certo, estou cansada de errar no sentido, quero uma estrada a direito, pode ter algumas curvas, rotundas, tudo isso mas não um beco. Quero apenas encontrar uma rua com saída, pode ter algumas opções mas que nenhuma delas seja o fim da estrada, as incógnitas que a vida nos impõem são difíceis, nem com uma equação se consegue resolver.
Queria uma equação que se resolva, que o fim seja sempre + e nunca -, a nossa estrada deveria ser feita toda ela de +, não deveria existir caminhos que nos tirasse do destino, talvez alguns atalhos para que apreciemos a vista mas não sítios sem saída.
Deveria existir sítios, assim comuns como um banco de autocarro e uma boa música para nos inspirar no caminho, para nos indicar a direção mais acertada, porque são esses pequenos pormenores que vão fazer a diferença entre o caminho mais acertado e aquele que nos parece mais promissor.
NC
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